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Doutora em Educação Especial fala sobre o autismo e ações de inclusão

 

“Quando a gente tem um filho já é uma mudança grande na organização familiar, mas quando uma mãe e um pai recebem um filho autista, essa mudança é, frequentemente, muito difícil. Muitos ficam perdidos, desorientados, tristes e com medo”. O depoimento é de Giovana Escobal, doutora em Educação Especial, Diretora do Instituto ABAcare e vice-coordenadora do Instituto LAHMIEI Autismo, e foi ouvido por ela da boca de vários familiares de crianças diagnosticadas com o transtorno. 

Os olhares questionadores e muitos dedos apontados em uma sociedade tão desigual são a realidade da rotina de muitos. Em entrevista à Rádio CBN São Carlos no Dia Mundial de Conscientização do Autismo, na qual falou sobre a vida dos autistas e ações de inclusão, a professora ressaltou que o autismo afeta muitas pessoas de diferentes maneiras. “O preconceito nas escolas, nas ruas e as vezes na própria família ainda atinge muitos autistas”, alertou. 

Segundo ela, alguns pais ainda relutam em reconhecer o diagnóstico dos próprios filhos, o que pode ser resultado da falta de conhecimento sobre o transtorno com certa frequência. “É importante que as pessoas conheçam as características dos autistas para entender, respeitar e saber lidar com essas pessoas e suas famílias. Tanto as crianças diagnosticadas quanto os próprios pais precisam ser acolhidos por profissionais qualificados que forneçam as informações corretas”, defende Giovana. 

O diagnóstico precoce do autismo é fundamental, assim como uma assistência intensa, para que o tratamento mais indicado, por sua efetividade comprovada pela literatura, a Análise do Comportamento Aplicada, seja eficaz e o paciente adquira os repertórios necessários importantes para se incluir em todos os ambientes sociais de forma adequada. Em países desenvolvidos, como nos Estados Unidos, o diagnóstico, frequentemente, de crianças autistas, é realizado por volta de 18 meses. No Brasil, as crianças são diagnosticadas, em média, aos 3 anos, mas existem muitos casos já sendo diagnosticados antes. 

“Não existem exames específicos ou marcadores biológicos para realizar o diagnóstico do autismo. O diagnóstico é comportamental. Em bebês o autismo pode ser diagnosticado, por exemplo, pela falta de contato visual durante a amamentação, estereotipias manuais, etc.. Em crianças, os déficits em interações sociais, linguagem e comunicação e os padrões comportamentais repetitivos e estereotipados podem ser sinais do transtorno”, explica a professora. 

O espectro é amplo. De uma ponta a outra você encontra indivíduos muito diferentes. Existem níveis de gravidade do transtorno, segundo o DSM V (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders). Essa variação está relacionada a necessidade de apoio que o autista precisa para interagir, se comunicar e se desenvolver socialmente. Um cuidado diferenciado é exigido desde cedo em casa e depois na escola, onde segundo os especialistas, precisam ser trabalhadas as diferenças, a cooperação e a tolerância. “Assim poderíamos formar seres humanos melhores e mais empáticos”, afirma a doutora em educação especial. 

Para Giovana, a luta ainda é por um olhar especial e sensível do poder público para a Educação Especial e assistência específica. Uma busca bastante antiga. Apesar da lei de inclusão brasileira, segundo a especialista, o problema é que a maioria dos profissionais não estão capacitados adequadamente para preparar e atuar com esses indivíduos. “A legislação prevê que o autista tenha um acompanhante especializado na escola, quando comprovada a necessidade, durante o ensino regular, mas muitas vezes o profissional responsável por esse aluno é uma pessoa sem preparo suficiente, o que dificulta o ensino dos repertórios necessários e o manejo comportamental correto em ambiente escolar”, relata Giovana Escobal 

O mesmo apoio capacitado é preciso também para que a inclusão no mercado de trabalho aconteça. Segundo Giovana, infelizmente, por causa da quantidade de autistas que existem - uma criança a cada 59 que nascem, o tratamento para o autismo acabou virando um mercado. “Por isso, é fundamental buscar profissionais com o currículo bastante qualificado com formação teórica em Análise do Comportamento e experiência aplicada, concluí Giovana.