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Tratamento deve continuar a distância durante a quarentena

 

Com o tratamento em clínicas especializadas suspenso, crianças com autismo e suas famílias têm sentido ainda mais o impacto da pandemia do novo coronavírus, se comparado com o restante da sociedade. Segundo o professor Celso Goyos, docente da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador do Instituto LAHMIEI Autismo, com a mudança radical na rotina provocada pela Covid 19, os portadores de TEA (Transtorno do Espectro do Autista) foram muito afetados. “Se para os adultos o isolamento social é um desafio difícil, imagina para as crianças autistas. Além da terapia presencial, as crianças tiveram a escola suspensa”, lembra o professor. 

Presas em casa, sem tratamento adequado, muitas crianças autistas podem ficar agressivas. O professor Celso tem participado de lives durante a quarentena e conversado com profissionais e famílias. Ele conta que nem os pais e nem os terapeutas estavam preparados para essa pandemia. “As mães estão precisando se multiplicar para dar conta do trabalho, da casa, de si mesmas e dos filhos, pois o tratamento das crianças com autismo deve continuar durante a quarentena”, afirmou o especialista. 

Desesperados, os pais têm procurado na Internet atividades para ocupar o dia dos filhos. Giovana Escobal, doutora em Educação Especial e vice-coordenadora do Instituto LAHMIEI Autismo, alerta que não é qualquer atividade que serve para toda criança. “É preciso uma assistência direcionada para cada criança com autismo, de acordo com as habilidades específicas dessa criança. Uma escolha errada pode resultar em comportamentos agressivos”, explica a professora. 

Giovana orienta que os pais devem ter contato direto com os terapeutas e que os profissionais devem capacitar os familiares para que continuem o tratamento em casa. “Os pais precisam ter uma estrutura com computador, internet, câmera para que o especialista consiga fazer o atendimento a distância. Também é preciso ter outros materiais de apoio, como brinquedos e jogos, por exemplo”. 

Tanto Celso Goyos como Giovana Escobal lembram que a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é o tratamento mais eficiente para o autismo e outros tipos de atraso no desenvolvimento intelectual. “É necessário que a assistência comece o quanto antes, seja feita de forma intensiva e por profissionais capacitados. Os pais devem ficar em casa, consultar os terapeutas de seus filhos e exigir respostas e resultados”, conclui Celso.