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Identificado pelo comportamento, autismo afeta mais meninos

No diagnóstico não existem sintomas, mas sim ações que podem indicar o transtorno do espectro autista nas crianças

Considerado como um transtorno comportamental, o autismo ou o Transtorno do Espectro do Autismo acomete crianças de todas as classes sociais, mais os meninos do que as meninas, e é marcado por três características: inabilidade para interagir socialmente, dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

Segundo Celso Goyos, que é doutor em psicologia e especialista nas áreas de Análise do Comportamento Aplicada ao autismo e Coordenador da Escola São Paulo de Ciência Avançada: Autismo e do Instituto LAHMIEI, os comportamentos típicos do Transtorno do Espectro do Autismo são observados mais frequentemente em meninos do que em meninas, na proporção de aproximadamente quatro meninos para uma menina.

O doutor em psicologia comenta que no autismo não existem sintomas, mas, sim, ações. “Os comportamentos que estão presentes nos indivíduos é que irão caracterizá-los como dentro ou fora do espectro do autismo,” comenta. Ele afirma ainda que alguns desses comportamentos podem se manifestar ao final do primeiro ano de vida, e podem se tornar mais pronunciados ao longo do segundo e terceiro anos de vida.

Diagnosticado aos três anos e meio, o filho da advogada Samira Fonseca passou a demonstrar novos comportamentos e um deles foi tirar a angústiaque a mãe vivia antes de saber sobre o transtorno do espectro autista. “Na verdade, foi um alívio saber o diagnóstico. Porém, o que enfrentamos por causa do resultado tem origem, na sua maior parte, na dificuldade da sociedade em entender e respeitar as diferenças,” disse.

Envolvidos por mudanças comportamentais, os indivíduos com autismo passam na maioria das vezes por situações delicadas, como a inclusão dentro da sala de aula.

Samira relata que esta inclusão existe, mas os professores não são preparados para receber esses alunos e isso prejudica todos que estão no ambiente escolar.

Já Goyos afirma que infelizmente não há uma verdadeira inclusão do autista em sala de aula. E existem casos de escolas que não oferecem vagas para crianças com autismo quando são informados desta condição da criança. “É bastante comum que pais de crianças com desenvolvimento considerado típico retirem suas crianças de salas de aula em escolas que aceitam crianças nesta condição,” ressalta.

Partilhando do mesmo pensando de Goyos, a médica pediatra em neurologia, Larissa Solange da Silva Moreira, afirma que a inclusão é uma questão importante para o desenvolvimento e para a socialização da criança com autismo. Mas, ela diz que está longe de conseguir atingir condições ideais, tanto na rede pública quanto na rede privada. “Infelizmente, a maioria das escolas estão despreparadas em termos de estrutura e capacitação profissional para atendimento individualizado, mesmo em se tratando de direitos garantidos por lei,” comentou.

Tratamentos

De acordo com o doutor em psicologia, um dos tratamentos mais recomendados para pessoas com transtorno do espectro do autismo são os procedimentos e técnicas derivados da Análise do Comportamento. Porém, ele recomenda que o interessado verifique juntamente com o profissional a respeito de qual treinamento de capacitação ele, ou ela, recebeu, qual foi a instituição responsável pela capacitação, se esta instituição é conhecida e confiável e qual foi a duração do curso de capacitação.

Ele explica que o tratamento também é conhecido como Análise do Comportamento Aplicada ou pela sigla ABA, do inglês Applied Behavior Analysis. “É importante que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível, preferencialmente entre um e dois anos de idade, diante dos primeiros sinais de suspeita do TEA, antes mesmo que o diagnóstico seja concluído,” comenta o doutor em psicologia.

Além de manter um tratamento intensivo, o indivíduo com TEA deve ficar de 20 a 40 horas semanais em acompanhamento terapêutico.

LAHMIEI

O Instituto LAHMIEI - Autismo tem um extenso programa de atuação na área baseado no tripé pesquisa, capacitação e atendimento, com sustentação empírica e conceitual na Análise do Comportamento, e vínculos com diversas universidades e instituições norte-americanas e europeias, e uma história de pesquisa de mais de 35 anos.

O laboratório do instituto está inserido na estrutura administrativa do Departamento de Psicologia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

Ação Inclusiva

A Ação Inclusiva é uma associação de pais que têm em sua trajetória incontáveis histórias de superação. O órgão nasceu de um trabalho voluntário realizado junto à coordenação da Comissão dos direitos das pessoas com deficiência da OAB de Ribeirão Preto desde 2012.

A associação conta com o trabalho do LAHMIEI, por meio do qual as crianças com autismo recebe atendimento supervisionado por profissionais do Instituto.

Cia Athletica Ribeirão

Com o intuito de inserir socialmente a criança autista, a fonoaudióloga Elaine Rodrigues lançou um novo projeto na Cia Athletica: basear a estimulação cognitiva associada à estimulação motora.

Para a fonoaudióloga, a Análise do Comportamento Aplicada é a metodologia mais eficaz no atendimento ao Autismo. “Além disso, associo outros trabalhos para que possamos garantir a inserção das crianças nos diversos meios sociais e como objetivo maior colocá-los no mercado de trabalho e nas universidades. Isto é totalmente possível na maioria dos casos, desde que bem trabalhados e com diagnóstico feito precocemente”, afirma.

O atendimento é individual, feito pela Elaine, por uma psicóloga, por uma psiquiatra e por educadores físicos capacitados, e pode ser realizado na sala, na piscina ou na sala de psicomotricidade.

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Laura Scarpelini
Fotos: Arquivo Pessoal

Quinta-feira, 17/09/15 às 09:34